Empresas Âncoras

 

O Pólo Agro-industrial de Capanda, foi projectado sob a óptica de desenvolvimento de cadeias produtivas agropecuárias com o objectivo de organizar a produção.

 Empresas Âncora e Actividades Correlacionadas

O Pólo Agro-industrial de Capanda, conforme citado, foi projectado sob a óptica de desenvolvimento de cadeias produtivas agropecuárias com o objectivo de organizar a produção de forma encadeada e integrada nos seus diversos segmentos.

O desenvolvimento da Cadeia Produtiva está fundamentado na  estrutura de gestão e no papel de liderança e integração promovido pelas Empresas Âncora junto dos demais elementos da cadeia.

As Empresas Âncora deverão ter porte suficiente para promover o arranque dos segmentos de produção agrícola e/ou pecuária e de industrialização. A existência dessas empresas dever-se-á constituir em factor de atracção para novos empreendedores tanto na produção quanto na prestação de serviços.

Na fase inicial da implantação do PAC, o investidor terá que garantir o funcionamento de todos os elos de determinada cadeia - Empresa Âncora Integral.

Será portanto necessária uma concentração, como é o caso da cadeia avícola, uma vez que para garantir a produção de frango é necessário ter assegurada a produção de soja e milho. Com a evolução da estruturação das cadeias, surgirão fornecedores de soja e de milho e assim deixará de ser necessário que o avicultor garanta essa produção - Empresa Âncora Semi-integral.

Este desdobramento também deverá ocorrer na oferta de serviços de apoio às cadeias, por exemplo em armazenamento, transporte, entre outros.
As unidades agro-industriais foram dimensionadas de forma modular podendo ser ampliadas em função da oferta de matéria-prima prevista no plano geral de ocupação do PAC e da procura do mercado.

A seguir são apresentadas as cadeias produtivas e respectivas Empresas Âncora previstas e com maior potencial e as que já se encontram em implantação na área do PAC.
Note-se que em qualquer caso, o investidor deve avaliar a organização da cadeia a montante e a jusante do seu investimento, assegurando-se que os elos da cadeia sejam efectivos:

1. Grãos – produção de soja, milho e massambala/sorgo, armazenagem e complexo soja (óleo refinado e farelo)

A produção de grãos, principalmente a de soja, milho e sorgo, é fundamental e estruturante, pois esses componentes são a base para a transformação de produtos primários em alimentos mais nobres e de maior valor acrescentado como a
proteína animal e óleo alimentar. Esta Empresa Âncora poderá liderar, além do acima referido, outros segmentos da produção de grãos tais como o de arroz e de feijão e respectivos processamentos.

 

 

 

2. Avícola – produção de grãos, armazenagem, processamento de soja, fábrica de ração, incubadora, aviários e matadouro de aves

A produção de carne avícola tem papel de destaque no PAC por se tratar de proteína animal, componente fundamental para a alimentação humana, de produção em
ciclo curto e um dos principais produtos importados. Como Angola não conta ainda com uma produção de grãos suficiente para atender à procura da produção de aves em larga escala, é importante que o PAC disponha de uma Empresa Âncora
Integral.

 

 

 

3. Bovina – sistema de produção através da integração lavoura-pecuária e matadouro

A região do PAC apresenta diversas áreas vocacionadas para pastagem, porém a produção bovina ainda é insignificante. O potencial da região demanda uma Empresa Âncora para liderar e dar o arranque desta cadeia. Com o estabelecimento desta Empresa Âncora, outros investidores poderão iniciar a produção de bovinos, principalmente recorrendo à Integração Lavoura Pecuária, para atender a capacidade da indústria. De acordo com os dados das Alfandegas, a carne bovina tem um grande peso na pauta de importação.

 

 

 

4. Florestal – produção de floresta comercial, tratamento de madeira autoclavagem) e serração

Várias finalidades e demandas para os produtos florestais podem ser citadas:

I) lenha e carvão utilizadas na confecção de alimentos em Angola, que também será
consumida pelas futuras agro-indústrias e aviários;
II) estacas e esticadores (autoclavados) para as cercas da pecuária e outros fins;
III) madeira tratada e/ou serrada para a construção civil e produção de móveis. A necessidade de estabelecer uma Empresa Âncora Florestal capaz de dar o arranque inicial neste sector, afigura-se assim fundamental e estruturante.

 

 

 

 

5. Mandioca – produção de amido/fécula (complementar à indústria em fase de instalação de farinha torrada e de bombo - CAMCompanhia de Alimentos de Malanje)

Em Angola e na Região do PAC a produção de mandioca é tradicional e contribui para a auto-suficiência alimentar familiar. É em boa parte do País a principal fonte de energia alimentar, sendo processada de forma artesanal em farinha torrada, bombo e em fuba de bombo, para preparar o “funge”.

Próximo da cidade de Malanje, a CAM está a instalar uma agroindústria para processar a mandioca em farinha torrada e fuba de bombo. Para este propósito, além de cultivar 2.000 hectares próprios, propõe-se adquirir mandioca de terceiros.

De forma complementar para a Cadeia Produtiva da Mandioca, é apresentado o projecto de uma fecularia, com o objectivo principal de produção de amido para fins
alimentares.

 

6. Cana-de-açúcar – em fase de implantação pela BIOCOMCompanhia de Bioenergia de Angola

Está em fase de implantação, a BIOCOM, com previsão de arranque para o ano de 2014 e consolidação em 2017, quando terá capacidade de triturar 2,0 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, produzindo 215 mil toneladas de açúcar e 33 mil m³ de etanol. A área de produção própria da BIOCOM será de 33 mil hectares de cana, podendo ainda adquirir de terceiros que estejam próximos da sua unidade fabril. A BIOCOM é um caso típico de uma Empresa Âncora, que pretende liderar e gerir toda a cadeia produtiva. Igualmente mostra o poder de atracção de outros investimentos no domínio da prestação de serviços e de potenciais fornecedores de diversos tipos de suprimentos, tais como a empresa prestadora de serviços de abertura de áreas e a intenção expressa de uma concessionária de máquinas agrícolas, fornecedora da BIOCOM, de instalar-se em Cacuso, o que beneficiará os produtores em geral.

 

 7. Frutícolas - Consumo “in natura” e processamento

O cultivo de frutícolas (laranja, maracujá, goiaba e manga) está planeado numa superfície de 500 ha irrigados.

A produção poderá ter dois destinos: a de melhor qualidade deve ser priorizada (remunera melhor) e direccionada para atender a procura de consumo “in natura”;
essas frutas serão classificadas e embaladas num PackingHouse.Packing House: armazém de recepção, classificação, embalagem e expedição

A produção com qualidade inferior (aspecto visual) será transformada em sumo integral NFCSumo de laranja integral NFC (Not From Concentrate ou Não Produzido a partir de Concentrado), esse processo preserva melhor as qualidades do sumo.  Em termos de sabor é o que mais se aproxima do original. (laranja), em polpa integral natural asséptica (maracujá e goiaba) e em compotas.

Estes produtos são de alta qualidade para a indústria de sumos prontos para beber, não são concentrados nem congelados, são embalados a granel e poderão atender uma parcela da procura interna em Angola.

Seguindo os parâmetros de avaliação apresentados, os projectos das empresas âncora e respectivos indicadores de viabilidade económica (vide tabela abaixo), foram elaborados para quatro cenários de implantação:


Investimentos para a Implantação de 1,0 ha de Hortícolas, Frutícolas e Mandioca

Cenário 1 de implantação - Projecto sem financiamento e sem incentivos fiscais;
Cenário 2 de implantação - Projecto sem financiamento e com incentivos fiscais;
Cenário 3 de implantação - Projecto com financiamento e sem incentivos fiscais;
Cenário 4 de implantação - Projecto com financiamento e com incentivos fiscais.

Todas as Empresas Âncora, conforme observa-se no quadro Indicadores da Viabilidade Económica , apresentam viabilidade económica nas diversas simulações, com excepção da Fecularia, que analisada sem financiamento, nem incentivo, demonstrou baixa atractividade. Os incentivos fiscais melhoram a TIR (Taxa Interna de Rentabilidade) entre 2 a 5 pontos percentuais, enquanto o financiamento apresenta um impacto maior na atractividade. Entretanto, devido a natureza de longo prazo de alguns projectos, principalmente da Empresa Âncora Florestal, os prazos de carência e de amortização precisam de ser negociados, caso a caso, para ajustar a capacidade de pagamento.

Enquanto todas as Empresas Âncora tiveram o horizonte de projecto de 20 anos, a Florestal precisou de 28 anos de análise.

A Empresa Âncora Frutícola apresenta viabilidade económica no conjunto de actividades, devendo priorizar as unidades de negócios para atender o mercado de consumo fresco de frutas. Os segmentos de produção das frutas e de Packing House apresentam boa atractividade. A unidade de processamento, devido ao alto valor de mercado das frutas para consumo fresco em Angola e pelo baixo valor no mercado internacional de polpa integral natural e sumo integral NFC, não apresenta viabilidade, porém é um segmento que pode vir a melhorar a rentabilidade e é importante para aproveitar a produção de qualidade inferior que não é classificável para consumo “in natura”.